Ensaísta Aguinaldo Gonçalves aborda a identidade do negro em conversa literária

SESC Birigui realiza a atividade Poesia e Identidade, uma conversa literária com o professor, poeta, ensaísta e crítico de arte Aguinaldo Gonçalves, dia 19 (sábado), às 15h, no Polo Avançado do SESC em Araçatuba.


Gonçalves analisa a tensa questão entre a criação artística e a constituição étnica 

Conteúdo literário
A oficina trabalhará aspectos de identidade de modo geral, inserindo a questão da identidade do negro brasileiro. Para isso, o ensaísta valerá de textos filosóficos sobre poder e representação do sujeito no meio social. Os principais filósofos de apoio serão Michel Foucault e Hannah Arendt. 


Textos poéticos e narrativos também serão utilizados no estudo, como os clássicos de Castro Alves, Machado de Assis e Cruz e Sousa. 


O negro na literatura brasileira
A vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1908, trouxe o espírito do Movimento Romântico que se iniciava na Europa. Escritores brasileiros começaram a mostrar certa preocupação com assuntos sociais e a enfatizar a liberdade individual. Após a independência do Brasil, a literatura romântica passou a exaltar as singularidades tropicais do país e seu povo, como forma de criar uma identidade nacional.


Entre as figuras literárias mais famosas do período Romântico está Castro Alves (1847-1871). O poeta, que escreveu sobre os escravos africanos, defendia a abolição e exaltava a liberdade de forma idealizada. "O Navio Negreiro", por exemplo, um de seus textos antológicos, destaca a desumanidade que marcava o tráfico dos escravos, então já abolido. Outro poema, "A Cruz da Estrada", situa a redenção pela morte, onde o escravo encontraria a sua plena liberdade: não há lugar para ele nessa sociedade, mas em compensação, a natureza cuida do seu túmulo e dele será o reino dos céus. 

Já no período simbolista, Cruz e Sousa é outro caso singular. Negro, filho de escravos alforriados, com nome, sobrenome e educação esmerada ganhados dos senhores de seus pais, sofreu a violência do preconceito que o impediu, entre outras discriminações, de assumir o cargo de promotor público em Laguna. Assumiu, assim, a luta contra a opressão racial e deixou nove poemas e dois textos em prosa comprometidos com a causa abolicionista. Sua obra literária, entretanto, evidencia uma posição dividida e conflitada. 

Machado de Assis, pertencente a duas correntes literárias – romantismo e realismo – levanta considerações quando se trata do tema. Há quem defenda que o fato de um mulato ter tornado-se um dos maiores escritores brasileiros, é altamente significativo para a causa da afirmação da etnia, embora não se encontre em sua obra ficcional uma abordagem ideológica nesse sentido. Outros criticam a ausência em seus textos de problemática ou temática negra e repudiam o seubranqueamento, numa atitude tão racista quanto a que discrimina os negros.


SERVIÇO – 
A atividade acontece dia 19, às 15h, no Polo Avançado do SESC em Araçatuba (rua José Bonifácio, 39, Centro). Classificação: 12 anos. Grátis.


Informações:

Programação Cultural do SESC Birigui
Graziela Nunes/ Ana Paula Araripe
(18) 3608-5400

Clóvis Carvalho / Mazé Tavares/ Nathalia Falcomer
(18) 3642-7040