Caso não tenha sido classificado na 23.ª edição do Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba, não se sinta um mau escritor. Por mais que a comissão julgadora se limpe da subjetividade, ela não consegue ser essencialmente objetiva. Caso fosse outra comissão, talvez você estivesse entre os vencedores, porque na hora de escolher este e não aquele vai a preferência estética.
Como secretário da Cultura acompanhei as acaloradas discussões para se escolher 08 contos dentre os 50 finalistas de cada nível. São discussões de alto nível. Os membros da comissão julgadora recebem proventos aquém de sua capacidade para fazer esse trabalho, mas participam porque gostam de ver como anda a literatura brasileira, vão ter contatos com textos de jovens escritores, com gente da mesma tribo.
Para o consolo de todos os não classificados, conta-se que Graciliano Ramos desclassificou um jovem contista, Guimarães Rosa, num concurso. Provavelmente, Gracialiano não fora injusto e nem Guimarães se sentira injustiçado. Hoje, os dois são grandes escritores brasileiros.
Então, caro escritor, escreva sempre, não só para participar de concursos. Também não deixe seus escritos na gaveta, divulgue-os, nem que seja no jornal do bairro, no mural da escola. Construa um blogue na internet para publicar seus textos, a crítica fará você crescer. Para se ter um estilo, precisa-se de muito exercício.
Parabéns, você é um escritor (ou escritora). Ser isso já é um prêmio.
Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. Atualmente é secretário da Cultura de Araçatuba-SP